Eu vejo os meus amigos de infância
(compinchas do pião, das caçadinhas,
dos bailes, dos engates das meninas)
agora não tão perto, à distância.
Estão secos enfiados nos seus fatos
Armani, Hugo Boss na etiqueta.
A vida opulenta, mas careta,
vazios, muito velhos, muito chatos.
Eu sou uma criança irreverente
num corpo de adulto. Bem diferente
procuro e consigo ser travesso.
Enquanto eles sofrem de azia
eu tento, com a minha poesia,
virar este meu mundo do avesso.